domingo, 17 de abril de 2016

dos golpes de sempre


independente dos resultados
das tentativas
e lutas
de um lado
ou de outro

que saibamos
respeitar
a dor
das perdas
ou as ilusões
de ganhos
que ultrapassarão
o dito
placar exposto

falemos do que não se pode ver.

o estrago é sempre maior
quando ninguém está disposto
a escutar
e mudar

certezas
ferem mais


(jm)

quarta-feira, 30 de março de 2016

[de r re ter]



prendo-me nas lembranças
carrego fósseis de alegrias idas
nas costas
o peso da vida me impede de andar

meu passado não passa
se esfrega todos os dias
na minha cara
impedindo de futuro h a ver

outro presente
eu nem sei se quero ter
primeiro é preciso parar
de r reter



(jm)

[medianeras]


deixar o amor morrer
apagar lembranças
chorar as dores
rasgar cartas
deletar arquivos
evitar esperanças

não adianta tanto esforço
externo

de dentro
o que foi sincero
vive

e é eterno



(sob efeito de medianeras - julho/15)


(jm)

terça-feira, 8 de março de 2016

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

vômito I



a poeta vocifera
sangra e chora frente às notícias
quer matar e morrer a cada golpe de realidade que lhe dão

ela não pediu nada disso
mas é o que todo dia lhe chega em embrulho cinza metrópole

preferia falar de amor
dos sonhos e impossíveis no coração guardados

preferia sorrir contemplando os céus:
azuis de nuvens múltiplas
ou os negros de cintilantes estrelas a seduzir amantes

e brincar,
e amar,
e narrar,
e viver

leve
levando

mas todo dia é tiro
soco na cara
abuso e tirania

violência tirando a inspiração
dizendo que a beleza deve esperar
que é urgente responder
pegar em armas

é pela sobrevivência que se conclama os corpos a doarem tempo, força, vitalidade

a luta eterna pela dignidade humana.

ou a poesia caminha junta
sendo arma
ou ela pode esperar

como sempre
e como nunca:
é tempo de guerrear.


(jm)