*exercício a partir da oficina "luz, câmera e poesia" com luiza romão, lais aranha e renata pegorer em jul/2020.
terça-feira, 18 de agosto de 2020
quarta-feira, 17 de junho de 2020
| das ordens dos dias |
em tempos de vigilância e medo
o invisível grita o fim que sempre esteve
obrigam distância
prudência e apatia
no mesmo espaço
há outro algo que se move voraz
distraio em viagem imemorial
não há o que tire dos poros
e da alma
a marca deixada
espreito corpo amado ao longe
ó, senhores da boa moral e da limpeza,
vos digo:
sujo
e mais urgente
(jm)
sexta-feira, 24 de abril de 2020
| pele |
a pele que habito
ferve vontades
a retina umedecida
rebobina semblante ausente
o sorriso morando na fantasia do impossível
um corpo endurecendo na saudade
e a palavra de nada serve
pois nem a mim convence
(jm)
em rascunho perdido de 2018
| atotô |
reverencio-te
...
que o caminho de quem vai
seja guiado por sua mão
todo luto plantado na terra
transformado
em nova compreensão
e a chance
de existir diferente
pra quem foi poupado
...
mundos ruindo
sendo devolvidos
tantas almas vagando fluídas
os planos misturados
entre novos códigos cifrados
e nosso tempo
assombrado.
(jm)
| ... |
nos dias trancados
muitos partiram
de frente ao hospital
acordo ouvindo choros
o corpo enrijecido
não escuta mais os gritos
eu sim
não agradeço
não olho
os lutos negados
os tantos não velados
são muitos gritos ainda
entalados
acordo
por eles
oro
e me guardo
(jm)
24/04/2020
quinta-feira, 16 de abril de 2020
| vocifera vol.2 |
já são vários os dias em que só a Terra se move
a nós
o único passeio permitido por hora
é o da memória
perdemo-nos uns dos outros
os planos caíram um a um
desculpa,
não posso mover-me agora
sobreviver é a única urgência
dói o existir
dói além a iminência do não mais
a escuridão dessas cavernas
guarda novos platões
a espera.
(jm)
abril/2020
texto para o experimento "Vocifera" de Marcos Bassini,
resultado disponível em: www.youtube.com/watch?v=181nn9it2Cc
ou https://open.spotify.com/episode/3CF757uuG2iBlzDaOs4eHT
domingo, 9 de junho de 2019
| chão |
não são retas as ruas por onde vou
não são simples os nós que desfaço
não me adoçam o mel das promessas
minhas noites não são sempre seguras
nenhum abraço me acha
curo a terra que piso
ilumino aquilo que olho
mas não há o que cure
e não há curativo que chegue
pingo vermelho incessante
fertilizando o chão dos caminhos
(jm)
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