quinta-feira, 1 de setembro de 2016

~ cachalote ~



~~~~~~~~~

de volta ao ventre
de onde ninguém jamais haveria de ter saído
sinto o cheiro de tudo que está fora

o asco me acompanha
embrulhando os minutos da espera

o ser que me abriga mergulha
e me obriga a girar

não há chão seguro
ventre só acolhe na primeira vez

de agora em diante não há mais vida
o impulso é de morte
e o mundo quer é repelir


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

jm






*exercício para a oficina de escrita "Soltando a língua" com Marcelino Freire, agosto-16

Nenhum comentário:

Postar um comentário