domingo, 10 de setembro de 2017

| lembranças |


tudo naquela casa lembrava o passado.

as paredes sussurravam segredos,
as janelas engoliam a solidão dos móveis,
o chão ameaçava ceder, já que o teto vivia a lhe jogar pedaços.

gavetas saltavam, arremessando o que já fora importante.

hoje tudo se vai.

não interessa. ninguém pra ver ou ouvir.

são lembranças descartáveis.
frente ao urgente seguir da vida

e da especulação imobiliária

- pode demolir, Sérgio.


(jm)


*texto criado na Oficina de escrita "Papel e Caneta" com a poeta Bruna Beber no Sesc Ipiranga, Agosto/17.

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