quinta-feira, 28 de junho de 2018

| aviso aos bombeiros do inferno |


trabalhas em vão.

ousas fazer, de muito,
o desprovido de proveito.

tantos os dias gastos em feitos sem resultados,
quem te fez crer em salvação?
a gota d'água entregue àquela carcaça no deserto?
não se reverte a morte, no máximo inventa-lhe uma companhia.
o tempo ri da tua cara enquanto sozinho agonizas em brasa.

quem corre chega primeiro, mas pode ter errado o caminho.

ser inerte, vida inútil.
faze-tu, mas sabendo que esforçar-se é indiferente.
tanto quanto tentar capturar brisas com agulhas roxas.

no inferno dos automóveis e suas buzinas oco é tentar se fazer ouvir
há pressa e ruído em cada molécula desse lugar.
não há tempo para amenidades. o fogo em breve virá para cumprir seu papel.

envolvidos na corrida para o fim, não há desejo de fuga. anseiam logo encontrar.

que con
suma tu
do.

tão cinza quanto a cidade,
vidas tão insalubres quanto o ar.

| exercício para a oficina soltando a língua, com marcelino freire, set/16 |


(jm)


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